Enviado de Trump se reúne com Netanyahu após encontro com Hamas sobre plano de paz para Gaza
O enviado dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, se reúne nesta segunda-feira (17) com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, depois de conversar no Egito com representantes do movimento islamista Hamas para tentar impulsionar um plano de paz para Gaza.
Uma fonte diplomática disse à AFP, sob condição de anonimato, que a reunião começou no final da manhã.
O encontro ocorre no momento em que Washington tenta reduzir as divergências entre Israel e o Hamas sobre a implementação do plano de paz promovido por Trump.
O Hamas aprovou no fim de julho um mapa do caminho do governo americano que pretende colocar em prática a segunda fase do plano, que prevê o desarmamento do movimento islamista e a retirada de Israel do território palestino.
Netanyahu, no entanto, rejeitou o texto e exigiu um "verdadeiro" desarmamento do Hamas.
O primeiro-ministro israelense também tinha agendada uma reunião com Nickolay Mladenov, o principal representante para Gaza no Conselho da Paz, órgão criado por Donald Trump para implementar o plano de paz.
Segundo alguns veículos da mídia israelense, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, nomeado por Donald Trump para o conselho, também participaria dessa reunião.
Kushner e integrantes da delegação do Hamas se reuniram no domingo no Egito. O emissário americano insistiu no desarmamento total do movimento palestino e em sua exclusão de qualquer papel no futuro governo de Gaza, informaram fontes próximas às negociações.
Um dirigente de alto escalão do Hamas disse que o grupo expressou a Kushner seu compromisso com o plano para Gaza e o desejo de que Washington exerça pressão sobre Netanyahu.
"O Hamas exige que a administração americana (...) pressione o governo de Netanyahu para que aceite o acordo do mapa do caminho e o aplique. O Hamas aguarda a resposta da administração americana sobre a posição de Israel em relação ao acordo", declarou a fonte à AFP.
Durante anos, Washington se recusou a manter contatos com o Hamas, classificado como uma organização terrorista e que liderou o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, o que desencadeou a guerra de Gaza.
Mas o governo Trump tem se mostrado cada vez mais disposto a manter contatos diretos, com a esperança de acabar com a guerra devastadora, negociando o acordo de cessar-fogo de outubro que permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses.
- Retórica linha dura -
Netanyahu, que enfrentará eleições acirradas em outubro, segundo as pesquisas, tem se mostrado cada vez mais disposto a desafiar Trump, cujo apoio ele destaca reiteradamente em sua campanha.
Após expressar críticas moderadas ao plano para Gaza em um primeiro momento, Netanyahu anunciou na semana passada a seu gabinete que rejeitava o texto e se comprometeu a não retirar as tropas do território palestino, apesar de Mladenov ter assegurado que Israel não teria que adotar a medida antes do desarmamento completo do Hamas.
Em uma entrevista, Itamar Ben Gvir, o ultradireitista ministro da Segurança Nacional do gabinete de Netanyahu, incitou a execução de assassinatos em Gaza.
"Eu acho que execuções direcionadas deveriam ser realizadas em Gaza todas as noites. Eliminem 30 ou 40", disse Ben-Gvir em um podcast com um ex-refém de Gaza.
"Não apenas aqueles que representam uma ameaça atualmente. São pessoas que não deveriam estar vivas", disse. "Estou fazendo um elogio ao chamá-los de humanos".
No domingo, oito países muçulmanos, incluindo Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, condenaram em um comunicado conjunto a rejeição israelense ao plano de paz para Gaza.
Hamas e Israel trocam acusações sobre violações do cessar-fogo alcançado em outubro de 2025, sob a mediação dos Estados Unidos, no território palestino.
Pelo menos 1.262 palestinos morreram nas operações israelenses desde que a trégua entrou em vigor, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas. Os números são considerados confiáveis pela ONU. O Exército israelense registrou cinco mortes em suas fileiras durante o mesmo período.
A.Castillo--GBA