EUA buscam ampliar isolamento do Irã em reunião de ministros das Finanças do G20
Os ministros das Finanças dos países do G20 participam de uma reunião até terça-feira (1º) nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump busca convencê-los a aderir à sua guerra econômica contra o Irã, após meses de tensões comerciais provocadas por sua ofensiva tarifária.
Os Estados Unidos realizam em Asheville, na Carolina do Norte, a primeira de uma série de reuniões do grupo em seu território. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, conduzirá as discussões ao lado do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh.
Washington, que ocupa neste ano a presidência do grupo das maiores economias mundiais, espera concentrar as conversas em alternativas para estimular o crescimento e a desregulamentação, além de reduzir os "desequilíbrios" comerciais.
A guerra no Oriente Médio, iniciada pelos Estados Unidos há seis meses e que provocou uma crise energética e a disparda dos preços em todo o mundo, também estará na pauta.
Bessent foi encarregado por Trump de liderar, por meio de sanções, a ofensiva econômica contra Teerã, que não foi derrotado militarmente pelos Estados Unidos.
O secretário do Tesouro advertiu recentemente os países que continuam negociando com o Irã, ameaçando excluí-los do sistema financeiro ocidental. Segundo seu gabinete, Bessent vai reiterar a mensagem em reuniões bilaterais com seus homólogos em Asheville.
- "Discussões delicadas" -
Outro foco de tensão é a ofensiva tarifária de Trump. Embora a Suprema Corte tenha derrubado a maioria de suas tarifas, o governo americano continua buscando impor novas taxas sobre produtos importados e retomou as hostilidades comerciais com o Canadá.
"Agora que estamos em uma guerra comercial com o Canadá, não há unidade no G7. E sem unidade no G7, é difícil chegar ao G20 e ter discussões delicadas", disse à AFP Josh Lipsky, pesquisador do centro de estudos Atlantic Council.
"Acredito que a maioria dos países ouvirá [os Estados Unidos] respeitosamente, mas permanecerá cautelosa diante dos desafios macroeconômicos tanto em seus próprios países quanto nos Estados Unidos", acrescentou, referindo-se à persistência da inflação e à recente alta dos juros da dívida pública.
O G20 foi criado após a crise financeira asiática de 1997-1998 para fortalecer a economia global e a estabilidade financeira. O grupo reúne 19 países, além da União Europeia e da União Africana.
- Jornalistas excluídos -
A África do Sul foi excluída das reuniões deste ano pelo governo americano, que acusa regularmente Pretória, sem apresentar provas, de perseguir agricultores brancos.
O Brasil, que mantém relações tensas com Trump devido aos atritos do presidente americano com Luiz Inácio Lula da Silva, não enviou seu ministro da Fazenda.
A Polônia, embora não seja membro permanente, foi convidada por Washington, enquanto a Rússia deve ser representada por um enviado do Ministério das Relações Exteriores.
Paralelamente, o presidente russo, Vladimir Putin, deve visitar Bishkek, capital do Quirguistão, na segunda e terça-feira para o 25º aniversário da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), ao lado de líderes como o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente chinês, Xi Jinping.
Veículos como Bloomberg e The New York Times afirmaram não ter recebido credenciais para a reunião do G20. O Tesouro americano informou que cerca de 300 profissionais da imprensa foram credenciados e disse esperar uma cobertura "factual", e não "sensacionalista".
O ciclo de reuniões do G20 terminará em meados de dezembro com uma cúpula de chefes de Estado na Flórida, no complexo de golfe de Trump em Miami.
H.Vega--GBA