Salvadorenhos denunciam perda de direitos sob governo Bukele
Centenas de salvadorenhos denunciaram nesta terça-feira (15) uma perda de direitos sob o regime de exceção que ampara a luta contra as gangues do presidente Nayib Bukele, durante uma marcha pelo Dia da Independência.
Mais de 90 mil pessoas foram presas sob as medidas de exceção vigentes há quatro anos, que reduziram a criminalidade a mínimos históricos, mas que, segundo ONGs e um grupo de especialistas da ONU, resultaram em crimes contra a humanidade.
Segundo a organização humanitária Socorro Jurídico, pelo menos 30.000 detidos são inocentes e mais de 500 morreram sob custódia do Estado.
"O que estamos vendo é um retrocesso até mesmo na independência do país", afirmou à AFP Fran Parada, dirigente do Bloco de Resistência e Rebeldia Popular, uma das organizações sociais que organizaram a manifestação em San Salvador.
Com o regime de exceção, que limita os direitos civis, "não há independência. Muita gente está privada de liberdade injustamente", afirmou à AFP Vilma López, do Movimento de Vítimas do Regime.
A marcha, que transcorreu sem incidentes, ocorreu paralelamente a um desfile oficial com forte presença de policiais e militares.
"Nada a celebrar, tudo a exigir" foi uma das palavras de ordem mais repetidas durante a manifestação, na qual também foram reivindicados direitos trabalhistas, melhores condições econômicas e respeito à democracia.
Bukele, que governa com poder absoluto, rejeita as acusações de abusos contra os direitos humanos e afirma que, graças à sua política de segurança, El Salvador passou de país mais violento do mundo a mais seguro do Hemisfério Ocidental.
O presidente de direita, que chegou ao poder em 2019, buscará um terceiro mandato em fevereiro do próximo ano.
X.Saavedra--GBA