Diretor da Casa Argentina em Paris renuncia ao cargo
O diretor da Casa Argentina em Paris, Santiago Muzio, renunciou ao cargo após meses de críticas por supostas expulsões de moradores, remoção de uma placa em homenagem aos desaparecidos durante a ditadura argentina e por sediar encontros da extrema direita.
A Casa Argentina é uma das quase cinquenta residências da Cité Internationale Universitaire de Paris, que acolhe cerca de 12 mil estudantes, pesquisadores e artistas de 150 países anualmente.
"Sim, ele renunciou", confirmou à AFP, neste domingo (13), uma fonte do Ministério do Capital Humano da Argentina, corroborando as notícias veiculadas pelo jornal argentino Clarín sobre a renúncia de Muzio.
Nomeado pelo governo de Javier Milei em 2024, este advogado franco-argentino acumulou controvérsias ao longo de sua gestão.
Em 30 de julho, a Prefeitura de Paris solicitou ao ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, uma investigação sobre a administração do estabelecimento. Na semana passada, Barrot afirmou estar "em negociações com as autoridades argentinas".
Em uma investigação da AFP, moradores descreveram, durante o ano letivo de 2025/2026, uma "mini ditadura" na Casa Argentina, onde vivem em constante medo e sem liberdade de expressão.
Muzio não respondeu às perguntas da AFP.
No entanto, em declarações ao jornal francês conservador Journal du Dimanche (JDD) no fim de semana, ele explicou que seu projeto era "erradicar este lugar das garras da extrema esquerda e da ideologia woke".
A renúncia de Muzio ocorre semanas antes da visita planejada de Milei à França, agendada para o final deste mês.
A.Castillo--GBA