Gazeta Buenos Aires - Líder iraniano se mostra desafiador diante de EUA e Israel

Líder iraniano se mostra desafiador diante de EUA e Israel
Líder iraniano se mostra desafiador diante de EUA e Israel / foto: عطا كيناري - اف ب

Líder iraniano se mostra desafiador diante de EUA e Israel

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, advertiu neste sábado (31) os Estados Unidos e Israel para que não lancem novos ataques, após as ameaças de ambos os países de retomar a guerra no Oriente Médio depois das eleições.

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O presidente americano Donald Trump e seu aliado israelense Benjamin Netanyahu voltarão a ter como alvo a República Islâmica?

Nas últimas semanas, eles vêm alimentando essa ameaça, e algumas informações da imprensa mencionam uma possível campanha militar curta e intensa após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para terça-feira.

"Se os inimigos lançarem novamente ataques militares ou terroristas, serão as forças armadas da República Islâmica e o povo iraniano que determinarão o momento e as condições de seu fim", reagiu Mojtaba Khamenei em um comunicado, ameaçando com "uma resposta imediata, poderosa e sem limite geográfico".

Além disso, ele ordenou aos responsáveis militares que atualizassem a lista de alvos para incluir nela "todo tipo de ativos materiais e imateriais pertencentes ao inimigo americano-sionista".

O Irã já ameaçou atacar centros de dados e sistemas de inteligência artificial, assim como os cabos submarinos no estratégico Estreito de Ormuz, a fim de prejudicar os Estados Unidos e seus aliados regionais.

Diante desse clima de ameaças, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse neste sábado que o presidente Donald Trump ainda não tomou uma decisão sobre novos ataques contra o Irã.

"Podemos alcançar objetivos militares se assim desejarmos. Ele não tomou uma decisão. Não tenho nenhum anúncio a fazer hoje, e também não tratamos esse assunto com leviandade", declarou Rubio em uma coletiva de imprensa do G20 em Atlanta, Geórgia.

- "Esperamos a guerra" -

Apesar das negociações em curso sob os auspícios do mediador catariano e da carta enviada pelo vice-presidente americano JD Vance, "examinada" no mais alto nível, o chefe da diplomacia Abbas Araghchi afirmou que "não vê necessidade de um encontro com os americanos".

"Se os Estados Unidos aceitarem as condições do Irã, então Teerã decidirá se as negociações devem ser diretas ou indiretas", declarou o ministro iraniano, em entrevista ao canal Al-Jazeera publicada pela agência estatal IRNA.

"As condições do Irã são claras e estão sendo realizadas consultas com os mediadores a esse respeito", acrescentou Araghchi.

Mojtaba Khamenei não foi visto em público desde que assumiu como guia supremo após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, no início da ofensiva americana-israelense no Oriente Médio.

Após 40 dias de bombardeios, foi alcançado um cessar-fogo em abril, seguido de um protocolo de acordo acertado em junho entre Estados Unidos e Irã, mas a frágil trégua desmoronou neste verão no hemisfério norte.

"Não posso dizer com certeza se a guerra vai recomeçar ou não, mas, infelizmente, somos um povo que, de certa forma, espera a guerra, simplesmente porque há um ano vivemos em um período de transição", lamentou Farima, de 62 anos, nas ruas de Teerã.

Outros preferem não se preocupar. "Não tememos outra guerra, estamos em guerra há 48 anos", diz Ebrahim, um vendedor de cerca de quarenta anos, em referência ao advento da República Islâmica em 1979.

V.Morales--GBA