Ajuda chega com dificuldades às regiões devastadas pela avalanche no Nepal e na China
A ajuda humanitária começou a chegar, nesta quinta-feira (3), às áreas mais afetadas pela avalanche que deixou pelo menos 1.280 mortos e mais de 5.000 desaparecidos na China e no Nepal, enquanto prosseguem as operações de busca e resgate.
A catástrofe de 26 de agosto provocou a morte de pelo menos 1.259 pessoas do lado nepalês, informou o órgão de gestão de desastres do país nesta quinta-feira.
Do lado chinês, a imprensa estatal reportou que 21 pessoas morreram na região autônoma do Tibete na tragédia provocada pelo colapso parcial de uma geleira no Himalaia.
As autoridades do Nepal revisaram consideravelmente em alta o seu balanço mais recente, elevando o número de desaparecidos para 5.083.
Na China, a imprensa estatal anunciou 541 desaparecidos, o que eleva o total de pessoas não localizadas a 5.624, incluindo pelo menos 600 cidadãos estrangeiros de mais de 30 países.
"É simplesmente incrível a magnitude da catástrofe, a magnitude da destruição", declarou à imprensa em Katmandu a coordenadora da ONU para o Nepal, Lila Pieters Yahia.
"O acesso tem sido muito, muito, muito difícil", afirmou, antes de explicar que as agências da ONU distribuíram kits de água e saneamento, além de alimentos e medicamentos.
Diante de uma delegacia de polícia em Katmandu, Sanjeev Rai, um americano de 53 anos, vive com a incerteza. Ele viajou ao Nepal depois de saber que sua esposa, Jiwan Jyoti, desapareceu quando voltava de uma peregrinação ao monte Kailash.
"Estou desesperado, já se passaram muitos dias", disse.
Na China, familiares de pessoas desaparecidas compartilham fotos nas redes sociais para tentar encontrá-las.
"Apresse-se e volte, seus pais sentem muito a sua falta, precisamos de você", publicou uma mulher em uma plataforma, acompanhando o texto com uma foto de um familiar, agente de polícia, e de sua esposa.
O governo chinês mantém um rígido controle sobre a informação e sobre os meios de comunicação, e os jornalistas estrangeiros estão proibidos de trabalhar no Tibete.
As agências de ajuda do Nepal afirmaram que cogitam mobilizar carregadores para auxiliar os distritos mais afetados próximos à fronteira com a China.
Considerados por muito tempo a espinha dorsal das expedições de trekking e montanhismo no Nepal, os carregadores são conhecidos por transportar mochilas pesadas durante dias por trilhas íngremes e em condições difíceis.
As buscas continuam nesta quinta-feira para encontrar possíveis sobreviventes que estariam presos em vários túneis de centrais hidrelétricas.
F.Franco--GBA