Gazeta Buenos Aires - Colômbia busca desaparecidos e pede aos EUA suspensão de tarifas após terremoto

Colômbia busca desaparecidos e pede aos EUA suspensão de tarifas após terremoto
Colômbia busca desaparecidos e pede aos EUA suspensão de tarifas após terremoto / foto: David SALAZAR - AFP/Arquivos

Colômbia busca desaparecidos e pede aos EUA suspensão de tarifas após terremoto

Com poucas chances de encontrar sobreviventes, equipes de resgate procuram centenas de desaparecidos após o devastador terremoto desta semana na Colômbia, enquanto o governo espera que os Estados Unidos suspendam temporariamente as tarifas sobre produtos colombianos para ajudar na fase de reconstrução.

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No centro de Pereira, uma das cidades mais atingidas, moradores acompanham neste sábado (15) os trabalhos de remoção de escombros atrás de fitas amarelas com a inscrição “perigo”.

A população ainda espera por um “milagre” após o forte terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na última segunda-feira e deixou quase 300 mortos. Ainda há 320 desaparecidos, segundo o boletim mais recente do órgão responsável pelo atendimento a desastres.

“Se houver alguém vivo, será um milagre, mas não acredito que ainda haja vida debaixo dos escombros”, disse Fernando Gaitán, de 55 anos, entregador de um restaurante afetado pelo desastre.

Os socorristas removem pedaços de telhados e paredes com o auxílio de máquinas. Visivelmente exaustos após seis dias de trabalho intenso, fazem pausas para descansar sentados no chão. “Vamos permanecer aqui até que a última pessoa seja encontrada”, afirmou à AFP o cabo dos bombeiros Javier Jiménez.

Em meio às operações, foi confirmada a morte de uma mulher que havia sido resgatada após passar 37 horas sob os escombros e se tornado um símbolo de esperança.

- Pedido a Trump -

Enquanto isso, o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo em 7 de agosto, informou neste sábado que teve uma conversa “amigável” de dez minutos com seu aliado e par americano, Donald Trump.

Segundo o presidente colombiano de direita, ele pediu a Trump a suspensão temporária das tarifas sobre produtos de seu país para aliviar a economia após os prejuízos bilionários causados pelo terremoto. As tarifas foram elevadas no fim de julho de 10% para 12,5%, salvo exceções como café e petróleo.

A suspensão das tarifas ajudaria “nossos empresários, que estão enfrentando momentos muito difíceis por causa dos efeitos do terremoto”, escreveu De la Espriella.

O presidente agradeceu aos Estados Unidos pela ajuda de US$ 26,5 milhões (R$ 138,2 milhões) e pelo envio de equipes de resgate, além de agradecer a Israel pela assistência humanitária e pelos socorristas.

De la Espriella anunciou nesta semana que decretará estado de emergência econômica após o colapso de mais de 14 mil moradias. A medida lhe permite criar impostos ou reorganizar o orçamento sem necessidade de aprovação do Congresso. As cidades mais devastadas precisarão passar por uma reconstrução bilionária.

- Esperança no limite -

Também neste sábado, foi confirmada a morte de Daniela Largo, de 32 anos, resgatada na terça-feira dos escombros em Pereira em meio a aplausos e gritos de alegria. A mulher morreu na sexta-feira no hospital, informaram seus familiares à AFP.

"Só quero que tudo isso acabe logo", disse Sandra Milena Pérez, mãe de Daniela Largo, em uma ligação com a AFP. Largo deixa um filho de 12 anos.

Os colombianos têm se mobilizado para enviar ajuda às áreas mais castigadas pelo terremoto. Alguns voluntários chegam a oferecer abraços para aliviar a dor causada pela tragédia.

Foram criados pontos de atendimento psicológico virtual e presencial em diferentes regiões do país, enquanto o cansaço provocado pelas longas jornadas e a angústia se acumulam entre socorristas e voluntários.

Entre as máquinas pesadas e os trabalhos de resgate, o cheiro de decomposição aumenta com o passar dos dias. Em Cali, centenas de sobreviventes que perderam suas casas ou temem que seus edifícios desabem devido às réplicas passam as noites em pequenas barracas montadas em parques.

Moradores cozinham para os afetados. "Faço isso porque vem do coração. (Vou) ajudar meus vizinhos o máximo que puder", contou à AFP María Josefa Aragón, cozinheira voluntária de 42 anos.

- "Não estão sozinhos" -

Após a tragédia, algumas pessoas percorreram milhares de quilômetros para reencontrar seus familiares. Uma venezuelana viajou da Espanha até Cali em busca da filha de 24 anos, desaparecida junto com o marido.

A mãe acredita que a filha esteja morta. "Três anos sem vê-la para agora vê-la assim", disse à AFP, sem esperança. A mulher pediu para não ser identificada.

Também foram criados programas e aplicativos para localizar animais de estimação desaparecidos. Em Bogotá, que não sofreu danos significativos com o terremoto, voluntários formam correntes humanas para organizar milhares de toneladas de ajuda humanitária doada às regiões mais afetadas.

"Vocês não estão sozinhos (...) Para mim, é como se fossem da família", disse Laura Mendoza, consultora e voluntária de 47 anos.

Q.Romano--GBA