Calor fora de época favorece aumento localizado de pernilongos no Rio
Moradores de bairros das zonas Sul e Norte relatam mais pernilongos durante o inverno; especialistas relacionam o fenômeno a temperaturas elevadas e criadouros com matéria orgânica.
Moradores de Copacabana, Laranjeiras, Flamengo, Horto, Tijuca, Maracanã e Grajaú relatam aumento de pernilongos em residências, condomínios e estabelecimentos comerciais durante o inverno. A Secretaria Municipal de Saúde não identifica uma infestação generalizada, mas reconhece ocorrências concentradas.
Os relatos envolvem principalmente o Culex, pernilongo comum que se reproduz em água com matéria orgânica, presente em ralos, fossas, galerias e áreas de esgoto. A superintendente de Vigilância em Saúde, Gislani Mateus, explica que os veranicos aceleram o ciclo do inseto. O El Niño estabelecido no Pacífico em 2026 e mudanças no regime de chuvas podem contribuir para condições favoráveis, embora não sejam apresentados como causa isolada.
Moradores e comerciantes recorreram a ventiladores, repelentes, inseticidas, citronela, raquetes elétricas e dedetização. Alguns condomínios contrataram aplicação de fumacê, mas a Secretaria de Saúde alerta que o método mata apenas mosquitos adultos, não elimina larvas e pode afetar outros insetos e aves. O fumacê é reservado sobretudo a situações específicas de controle do Aedes aegypti em surtos e epidemias.
O entomólogo Arlindo Serpa Filho recomenda investigar bueiros, poços de elevador, garagens e outros locais escuros e úmidos. Segundo ele, o controle deve combinar eliminação dos criadouros com combate aos adultos, em cooperação entre moradores e poder público.
W.Rojas--GBA